quinta-feira, agosto 30, 2012

Mais ou menos incomoda.


 
"Me diga que está triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tão feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me manda pra puta-que-pariu ou me convide pra ir com você. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mão. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar. Só não me esconda o rosto. Me abrace, me esmurre, me lamba, ou me empurre. Só não me balance os ombros. Não me perturba assistir tua dor nem acompanhar teu gás. Te ver mais ou menos realmente me incomoda. Mais ou menos não rende papo, não faz inverno nem verão, não exige uma longa explicação. É melhor estar alegre ou estar triste, mais ou menos é a pior coisa que existe."
Autoria: Gabito Nunes.

sábado, agosto 25, 2012

O que acontece dentro de mim.


 
 
Quase gritei que te amava, mas tranquei as palavras dentro dos dentes, mastiguei uma por uma a as engoli novamente. Mas elas correm de mim e quase se espremeram pelos meus olhos, eles brilhavam vendo coisas que não estavam diante deles, eles denunciavam o quão longe vagavam meus sentimentos. Meus dedos se enroscavam, eles queriam se abrigar em riscos e palavras, queriam que pichassem na parede da tua sala. Quase sussurei que te amava baixinho na tua orelha, ali que era o único lugar no mundo inteiro onde se precisava ouvir aquela confissão, mas também quis colar panfletos em toda rua, pra que mesmo quem não te conhecesse sentisse um tico de inveja daquele amor imenso que era tão seu. Senti vontade de dizer que te amava, uma força imperativa que agia sobre meus músculos, mas nunca expulsei aquelas palavras, elas eram gritos mudos sufocados dentro de mim. Mas você lembra, lembra quando segurei tua mão bem forte e fiquei te olhando nos olhos? Você sorriu e não entendia nada, não entendia que "eu te amo" não sai só pela boca.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Não amanhã.

 
 
Se eu for embora amanhã, sem bilhete ou despedida, não guarda ódio de mim.
Se eu for embora amanhã, eu prometo deixar o café quente e pão fresco em cima da mesa como fiz todos os dias. Se eu for embora amanhã, guarda todos os risos que te dei de presente, e guarda as lágrimas num canto escondido do coração pra ele nunca ressecar, mas não deixa tão á vista pra também não te encharcar. Se eu for embora amanhã, não perca o sono imaginando para onde eu fui, o destino alinha meus passos sem avisar mesmo a mim. Se eu for embora amanhã, vai pra praça ouvir os passarinhos, terei te deixado recados nos cantos deles. Se eu for embora amanhã, não me acuse de desamor e ou covardia, a liberdade me tem pra servidão, se é que isso faz algum sentido. Se eu for embora amanhã, te darei um beijo e direi que te amo, mas pode ser que você pense que é sonho. Se eu for embora amanhã, não pense que tudo que eu disse foi mentira ou em vão, eu prometo eternidade, mas nunca sei do dia seguinte. Se eu for embora amanhã,  não me espere voltar, meu caminho é sem curva. Se eu for embora amanhã, me deixa continuar morando no seu coração, no lugar mais bonito que houver nele, mais adornado e perfumado, porque seu peito é casa confortável pra mim. Se eu for embora amanhã, não é por nada, é que tudo passa, até eu, por mais que queria ficar por mais um dia ou dois. Se eu for embora amanhã, se apaixone de novo, acumule amor até transbordar, mas não esquece feito a gente não consegue lembrar de um sonho bom pela manhã ao acordar.
Mas eu não vou embora, não amanhã.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Um dia...


Quem sabe um dia a gente se trombe por aí. Por coincidência, vai que a gente dobre a mesma esquina ou eu te avise do outro lado da calçada e você acene.
Talvez, nós podemos nos cruzar em meio ao trânsito, na fila do mercadinho ou na padaria. Tanto faz esbarrar em você na saída daquele barzinho que frequentávamos com nossos amigos ou numa simples sorveteria. Que nós nos encontremos mais uma vez. Que nós nos encontremos mais uma vez -- repito durante o meu dia, mesmo em meio a correria. Um dia o acaso irá de me ouvir.
Preciso tanto te ver. Preciso tanto, mas tanto, te encontrar.