domingo, novembro 24, 2013

Cicatrizes.



Uma amiga de longa data – com quem compartilhei alguns dramas – me perguntou há meses o por que de eu ainda manter contato com quem um dia me fez mal. Eu amarelamente sorri e comecei com meus “- Então...”. Pedi pra que imaginasse um velho General aposentado, onde depois de muitas guerras, colecionasse além de medalhas de mérito em seu uniforme, cicatrizes no próprio corpo, que para ele tinham efeitos iguais: prova de batalhas as quais, se não venceu, ao menos saiu vivo para me contar suas histórias. Pedi para que imaginasse a resposta dele, se por acaso, ele pudesse cobrir aquelas cicatrizes, se assim o faria. Ela me respondeu que achava que não. “- Pois bem, cobrir cicatrizes é só um jeito de disfarçar algo que aconteceu, fingir que nunca existiu” respondi, já sabendo que aquela altura, tinha dito algo que ela já sabia. Me respondeu com um “entendi”, logo depois me perguntando se realmente esse General existia. Eu sorri, dizendo que “- Aos milhares, e quem sabe, ainda mantenha por ai cicatrizes abertas”.



"São coisas difíceis de serem contadas, e mais difíceis talvez de serem compreendidas."

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