terça-feira, fevereiro 10, 2015

Mãe.




Agora pode caminhar..

Mãe, segure na mão de Deus e caminhe sem medo.
Deixa pra traz este mundo de tantas lutas e tantos sofrimentos.
Vai em paz e não olhe pra trás.
Mãe, meu anjo, minha guerreira, acabou este longo sofrimento que tanto a desgastou.
Já não existem limitações, dor, choros, nem barreiras.
Deus fez de seus atos um balanço e por mérito os aprovou.
Abrace o vovô, toda a família que tanto amou!
Usufrua do bem que fez e que só a abençoou...
Entregue-se a esta nova vida com a honra da plenitude.
E perpasse o mistério da morte, com o passaporte de suas nobres atitudes.

Mãe, saudade... muita, tanta, imensa, infinda, vai deixar...
Mas deixa também um exemplo de amor, de vida, superação, integridade, alegria, doação...E só lembrarmos, como era bondoso, simples, imenso, puro, corajoso seu coração.
Mãe... Este adeus é apenas um adeus temporário, provisório.
Logo ali na frente todos iremos felizes, te encontrar e abraçar.
As suas atitudes frente à vida serão sempre nosso espelho obrigatório.
A herança que deixou foi a sua imensa vontade de viver e sempre amar, doar e perdoar.

Agora pode caminhar...

Sempre vou ter amar do tamanho do mundo e muito mais.


Da sua “flor de maracujá”.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Testamento.



Minhas posses materiais são poucas e eu deixo tudo para você:

Uma coleira mastigada em uma das extremidades, sandália rasgada, muitos buracos e uma vasilha de água que se encontra rachada na borda.
Deixo para você a metade de uma bola de borracha e uma porção de ossos enterrados no quintal. Além disso, eu deixo para você a memória, que aliás são muitas.
Deixo para você a memória de dois enormes e meigos olhos, marrons, de uma caudinha curta e espetada, de um nariz molhado e de choradeira atrás da porta.
Deixo para você uma mancha no tapete junto a porta quando nas tardes de inverno eu me apropriava daquele lugar, como se fosse meu, e me enrolava feito uma bolinha para pegar um pouco de sol.
Deixo para você um quintal esfarrapado em frente a cozinha, que dificilmente vai ser consertado...isso é verdade.
Deixo para você um esconderijo de um osso que fiz no jardim debaixo dos arbustos perto da varanda da frente. Ele deve estar cheio de folhas agora e por isso talvez você tenha dificuldades em encontrá-lo. Sinto muito!
Deixo também só para você, o barulho de latido que eu fazia ao sair correndo sobre as folhas do jambeiro.
Deixo ainda, a lembrança de momentos pelas manhãs, quando você acordava e abria a porta e pulava em cima de você. Recordo-me das suas risadas, porque eu não consegui alcançar aquele gato impertinente.
Deixo-lhe como herança minha devoção, minha simpatia, meu apoio quando as coisas não iam bem, meus latidos quando você levantava a voz aborrecido... e minha frustração por você ter brigado comigo.
Eu nunca fui à igreja e nunca escutei um sermão. No entanto, mesmo sem haver falado sequer uma palavra em toda a minha vida, deixo para você o exemplo de paciência, amor e compreensão.
Sua vida tem sido mais alegre, porque eu estive ao seu lado!
  
Atos.

"Descanse em paz"